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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Opinião

"O Brasil não conhece o Brasil, só faz de conta. (...) Ao contrário do que muita gente pensa, os números não falam por si, precisam ser interpretados."

Jessé Souza, sociólogo e presidente do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Os desafios do líder recém-promovido

por Flávio Moura*

Muitos tenistas profissionais já passaram pela situação de absorverem determinados movimentos tão bem que o corpo praticamente os realiza de modo automático. Num primeiro momento isto não parece algo ruim, já que a destreza refina a técnica, mas quando ele precisa modificar seu saque como estratégia de jogo é quase certo que tem de recorrer a um treinador experiente que o ajude a readequar seu estilo.

Ao trazermos esta metáfora para o ambiente corporativo, encontramos profissionais que também enfrentam algo semelhante. É o caso de quem realizou por muito tempo determinada tarefa operacional e depois de demonstrar excelentes resultados foi promovido para ocupar um cargo de liderança sem qualquer formação específica para tal.

Se antes este colaborador era responsável por cumprir as tarefas do cargo nos prazos e condições estabelecidas, agora tem como responsabilidade facilitar o cumprimento do mesmo trabalho pelos demais colaboradores do departamento, orientando-os e disponibilizando os recursos necessários.

Portanto, a dificuldade em abandonar velhos hábitos e o receio de não conseguir manter o mesmo desempenho afetam a atuação deste novo líder. Além disto, o envolvimento na operação acaba exigindo muito do seu tempo e a falta deste precioso recurso o impossibilita de realizar as novas atribuições, compromete o desenvolvimento da equipe e, claro, os resultados do seu trabalho.

Aliás, a forma como aplica o tempo deve ser um dos principais pontos de atenção para todo profissional que ocupa um cargo de liderança pela primeira vez, pois gerenciar prioridades recém-adquiridas é muito difícil quando se tem de conciliar demandas que surgem de todos os lados simultaneamente e a pessoa conserva dúvidas razoáveis sobre o que é importante e o que não é.

Não podemos deixar de mencionar outro fator crucial nesta transição: o tipo de suporte dado pela empresa ao profissional que assume um cargo de liderança. Desenvolver habilidades específicas à condução de equipes, mediar conflitos, fornecer feedback periódico sobre o desempenho e ainda obter bons resultados é uma tarefa inglória quando o novo gestor se sente desamparado.

Também é preciso que ele aprenda a delegar, mas não pense que isto será fácil. Quem foi reconhecido pela contribuição individual durante boa parte da carreira gosta de executar aquilo que precisa ser feito em vez de empoderar outras pessoas. Consequência: um gestor sobrecarregado e o time frustrado.

A boa notícia é que, se para atletas de alta performance essa mudança é possível, para os profissionais que estão assumindo pela primeira vez um cargo de liderança o raciocínio não é diferente. Desde que recebam o apoio da companhia e tenham a disposição para pensar e agir como verdadeiros líderes o sucesso é a regra depois de algum tempo.

*Palestrante, consultor empresarial e professor. Pós-graduado em Engenharia da Produção e Logística, e especialista em Estratégia Empresarial e Empreendedorismo. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Opinião

"Hoje em dia, tem essa coisa de que não pode pressionar, não pode exigir. Isso é tratar o trabalhador como criança. Competitividade é o que faz com que muitas empresas sejam as maiores do mundo. É como no Bope: não aguentou, pede para sair."

Paulo Storani, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da PM/RJ, mestre em antropologia, pós-graduado em administração pública e em gestão de recursos humanos, professor universitário, palestrante e consultor do filme Tropa de Elite.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Marketing para franquias: como criar as melhores estratégias?

por Juliana Bittencourt*

Em uma era tão digital, as redes de franquia devem escolher nada mais nada menos que as melhores estratégias para divulgar sua marca e assim fortalecê-la junto ao mercado. Note que estamos falando das “melhores” e muitas vezes isso não tem a ver com as "maiores" estratégias de marketing. As empresas devem estar seguras de que estão alcançando seu público alvo e passando a mensagem correta.

Mas as perguntas que ficam diante das inúmeras oportunidades e canais de divulgação são: qual a melhor estratégia de marketing para a minha marca? Que mensagem quero passar? Qual público desejo atingir? Antes de definir qualquer estratégia, estude seu produto ou serviço, analise seu mercado, entenda seus diferenciais e explore-os para atingir sua fatia de mercado.

Existem inúmeras opções que podemos listar, entretanto cada operação possui suas particularidades e requer uma estratégia diferente. Uma operação pode buscar novos clientes ou atrair novos franqueados trazendo a eles o sentimento de pertencimento junto à marca, ou seja, existe a opção de fazer com que eles se sintam parte do seu mundo e tenham sua marca como primeira referência quando sentirem necessidade de adquirir determinado produto ou contratar certo serviço.

Como exemplo de estratégia grandiosa, podemos citar a marca Heineken que sempre gera WOW no mercado quando executa suas ações de marketing. Uma delas, a "Você ainda está com a gente?" trouxe um resultado fora das proporções normais e repercutiu mundialmente. Vale a pena buscar o vídeo no Youtube.

Para as redes menores, muitas vezes não é possível desenvolver ações tão elaboradas, por isso existem as ações menores e que se executadas da maneira correta podem sim trazer grandes resultados.

Pode-se começar com uma boa página na internet onde seu cliente ou futuro franqueado obtenha as informações necessárias de forma rápida e com a divulgação dos preços de seus produtos ou serviços - não há problema algum em apresentar essas informações. O importante é que eles sempre fiquem próximos aos seus diferenciais. Isso faz com que o leitor entenda o motivo pelo qual ele deverá pagar o preço ofertado. Num único clique ele consegue enxergar além do preço, ele passa a entender quais benefícios ele estará adquirindo.


Não é novidade para ninguém que hoje as redes sociais influenciam cada vez mais a decisão de compra dos consumidores, por isso, uma boa página e com conteúdo apropriado certamente trará os seguidores que estão interessados em ler os posts da sua marca. Dessa forma em pouco tempo você terá uma base segmentada e composta por pessoas que realmente estão interessadas em ler o conteúdo que diz respeito ao seu negócio.

Para as redes sociais a padronização das páginas das unidades é tão importante quanto o conteúdo publicado. Tome cuidado com o conteúdo que será divulgado na fan page institucional e com as informações particulares de cada unidade.

Estratégias simples também podem ser utilizadas nos pontos de venda. Você pode iniciar seu trabalho construindo um mailing de clientes e informando a eles todas as novidades inerentes ao seu mercado, lançamento de novos produtos ou serviços, abertura de novas unidades, enfim, busque sempre deixá-lo a par das novidades.

Por último, mas não menos importante, é o bom e velho boca a boca. Falamos inicialmente em sentimento de pertencimento, então lembre-se que um cliente satisfeito atrai outro e mais outro. Bom atendimento também faz parte das estratégias de marketing, por isso busque e cobre excelência permanente em atendimento.

Faça com que as experiências negativas se revertam em fidelização do cliente. Corrija, resolva, se desculpe e encontre a solução para o problema ocorrido. Uma situação problemática bem conduzida e bem solucionada desperta surpresa e sempre causa uma boa impressão. Lembre-se que sendo uma experiência positiva ou negativa, no final de tudo o cliente sempre terá como referência a sua marca.

*Administradora de empresas especializada em expansão de franquias. É consultora de expansão da GOAKIRA Consultoria Empresarial.

SITE: www.goakira.com.br

domingo, 6 de abril de 2014

As quatro chaves do pensamento estratégico

por Marcos Morita*

Você sabe o que significa estratégia? Sua origem provêm do grego stratègos, onde stratos = exército e ago = comando. Uma utilização peculiar pode ser vista no filme Tropa de Elite, no qual Wagner Moura repete o conceito em várias línguas para um grupo de recrutas sonolentos. O termo migrou para o mundo corporativo por meio de livros como a "Arte da Guerra" e hoje em dia em concorridas palestras de ex-policiais do BOPE. É presença constante em reuniões corporativas, onde concorrente é chamado de inimigo, ponto de venda é conhecido como campo de batalha e conquista de território é sinônimo de participação de mercado.

Engana-se porém, quem imagina que estratégia está restrita ao mundo bélico ou corporativo. Você, eu, assim como qualquer outra pessoa pode se beneficiar do pensamento estratégico em qualquer papel que esteja inserido: colaborador, executivo, empreendedor, voluntário, esposa, marido, pai, companheiro. Para ajudá-lo a pensar de maneira estratégica criei um guia com quatro chaves, cada qual com um nome sugestivo, em geral uma alegoria aos conceitos apresentados. Você poderá utilizá-las em qualquer sequência, assim como três, duas ou apenas uma, porém seu poder e eficiência serão tanto maiores quanto mais chaves utilizar. Vejamos.

Alice no País das Maravilhas: a primeira chave versa sobre a definição de objetivos de curto, médio e longo prazo, alinhados ao acrônimo SMART. Para defini-lo utilizarei de alguns tipos que cruzam nossa vida. Qual a semelhança entre o fumante e o obeso no primeiro dia do ano, o amigo sonhador que a cada hora aparece com uma nova ideia e o político em véspera de eleição? Todos têm sonhos e promessas, as quais na maioria das vezes não se concretizam por não serem específicas, mensuráveis, atingíveis, realizáveis e com um tempo definido, ou seja, não são SMART, traduzindo as palavras para o inglês: Specific, Measurable, Attainable, Relevant, Time-bound, e utilizando suas primeiras letras.

Agora, por que Alice? Para quem não se recorda do filme, há uma cena na qual a garota perdida na floresta entabula uma conversa com o gato. Alice em frente a uma bifurcação pergunta para aonde levam estas estradas. O gato em cima de uma árvore responde: depende, para aonde você quer ir? Alice diz que não sabe que caminho seguir. E então o gato, genialmente, responde que para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve. Enfim, saber definir objetivos, monitorá-los e cumpri-los é uma arte que poucos dominam, por exemplo os projetos em sua empresa, a reforma da sua casa, os puxadinhos nos aeroportos, as obras públicas do PAC e os quilinhos extras que insistem em persegui-lo.

Avestruz: neste mundo globalizado, interconectado e instantâneo, empresas lançam produtos e serviços com velocidade cada vez mais espantosa, reduzindo os ciclos de vida de seus produtos, muitas vezes canibalizando-os antes que a concorrência o faça. Creio que se lembre da casa de sua avó com o fogão antigo e o pinguim em cima da geladeira, relíquias de um casamento remoto. Não obstante reclamamos que tudo hoje é descartável, mas não aguentaríamos tanto tempo utilizando os mesmos eletrodomésticos. Vamos testar? Pare e olhe o seu smartphone, televisor de LED, tablet ou ultrabook. Aposto que o anterior ainda estava em perfeitas condições de uso.

Apesar destas óbvias constatações, muitas vezes nos comportamos como avestruzes, enfiando a cabeça na terra ao invés de olharmos o mundo exterior, as ameaças e oportunidades que nos cercam. Quem já foi despedido alguma vez sabe o quão difícil é retomar os contatos perdidos, esquecidos enquanto estávamos compenetrados no dia a dia da empresa. Empresários também se enquadram toda vez que são surpreendidos pelos lançamentos e promoções da concorrência. Faltou ao empregado a disciplina em cultivar seu networking e ao empreendedor manter-se atualizado com as novidades do seu mercado. Para ambos, uma lição a ser aprendida: olhe sempre para fora da caixa.

Bombeiro: atire a primeira pedra quem nunca se sentiu como um bombeiro, apagando incêndios. Prazos apertados, cumprimento de metas, reclamações de clientes, entrega de relatórios, pedidos do chefe, reuniões intermináveis. Tudo isso faz parte do dia a dia das organizações, as quais em busca de maiores lucros acabam por reduzir seus quadros, sobrecarregando os que ali permaneceram. O problema é quando isto se torna rotina, refletindo-se em longas jornadas, cansaço, estresse e retrabalho, interferindo em sua vida pessoal.

O consultor e escritor Stephen Covey em seu livro "Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes", já mencionava a importância em separar o importante do não importante e o urgente do não urgente, ensinando as pessoas a trabalharem no quadrante mágico do planejamento, invariavelmente esquecido e atropelado pelas urgências. Planejar, delegar, treinar, fixar grandes objetivos, controlar, monitorar e antever eventuais problemas antes que se tornem urgentes, são atitudes que podem ajudá-lo a retomar o controle do relógio. Tente reservar uma hora por dia para trabalhar nas atividades listadas. Você verá que os resultados são impressionantes.

Grandes Ovos: conheço diversos executivos e empresários solitários e arrependidos, cujos filhos e esposas preferiram seguir seu próprio caminho enquanto seus pais e mães ausentes viajavam ou trabalhavam horas a fio. Infelizmente para nós que já temos cabelos brancos, muitas vezes é necessário um acontecimento ou evento inesperado: doença, separação ou morte para que a ficha caia. Mergulhados em nossas atividades, esquecemo-nos de perguntar o que é realmente importante em nossas vidas. Tal qual o poema do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, Carta de Despedida, repensamos o que poderíamos ter feito, caso pudéssemos voltar as horas.

Pare enquanto ainda há tempo e liste suas verdadeiras prioridades: esposa, marido, filhos, pais, amigos, tempo livre, estudos, desenvolvimento espiritual, trabalhos comunitários, cultivar um hobby, escrever um livro, construir uma casa, viajar, velejar. Uma vez definidos, estabeleça objetivos SMART para atingi-los, aproveitando o tempo livre que sobrará após livrar-se da síndrome do bombeiro. Viu só, sem querer você já está usufruindo dos benefícios de pensar estrategicamente.

*Mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios.