segunda-feira, 10 de junho de 2013

Segurança ou privacidade? O dilema de Obama

por Dane Avanzi*

Semana passada o mundo foi sacudido pela notícia de que o governo federal dos EUA estava rastreando e se apropriando ilegalmente do conteúdo de ligações, e-mails e mensagens trocadas em redes sociais de pessoas dos mais diversos escalões e áreas de atuação. Tais informações eram coletadas por um software denominado “Prism”. Numa espécie de “mea culpa”, o presidente Barack Obama veio a público declarar que “não pode garantir 100% de segurança e ao mesmo tempo 100% de privacidade aos cidadãos americanos”.

O software Prism, foi desenvolvido em 2007, na administração George W. Bush, com aprovação do congresso como ferramenta de rastreamento de informações de estrangeiros e teoricamente jamais deveria ser utilizado para monitorar cidadãos americanos, incluindo entre eles pessoas da imprensa em geral.

O mais interessante nesse tipo de escândalo - recorrente nas sociedades mundo afora - é a eterna luta entre a liberdade individual e a segurança nacional. Parafraseando Nietzche: “O mundo vive constantemente ameaçado por duas forças: ordem e desordem”. O homem quer a paz, mas não vive sem a guerra. Para se evitar a violência do terrorismo, é necessária outra, que atenta contra a liberdade e privacidade - bem mais precioso do cidadão. Porquanto, não adianta estar vivo e saudável se não for plenamente livre.

Foi pensando na liberdade e na segurança, que na antiguidade, engendrou-se a ideia de Estado, para proteger os então aldeões de invasores bárbaros e outros povos hostis. No entanto, a referência mais recente que temos remonta à alta idade média com o surgimento das cidades Estado, governadas por seus respectivos monarcas. Com o declínio da monarquia, após a revolução francesa em 1789, o Estado enquanto instituição formou-se nos moldes que é hoje, influenciado por iluministas como Locke, Voltaire, Montesquieu, entre outros.

Destarte, os cidadãos de outrora, abdicando de uma parte de sua liberdade individual, posto que antes podiam fazer o que bem entendessem, concordaram em seguir um conjunto de regras, as primeiras leis. Inicialmente nas cidades-estado, o monarca, ou príncipe, reunia em si todo o Poder Jurisdicional do Estado. Entenda-se por jurisdição a capacidade de fazer leis, executá-las e julgá-las. Resumindo: o príncipe fazia o que bem entendia.

De tal sorte, que ao fazer o que bem entendia, não raramente se excedia, cometendo erros e injustiças que acarretavam toda sorte de infortúnios aos seus jurisdicionados. Percebendo essa realidade, Montesquieu, formulou a teoria da tripartição dos poderes, em Legislativo, Executivo e Judiciário, cuja fonte de poder continuava Una, mas era exercida por pessoas diferentes.

Dessa forma, a atividade estatal passou a ser exercida por um conjunto de instituições, evitando, em tese, arbitrariedades. Estava consolidado o Estado, tal qual é hoje, cuja principal missão é o bem estar comum e a paz. São elementos do Estado: povo, território e soberania. Para garantir que sua missão seja integralmente cumprida, o Estado dispõem do monopólio da força, modernamente chamado de poder de coerção, diferente de coação quando a força é exercida ilegalmente.

Pois bem. Com o perdão da digressão, tal exegese é necessária para avaliarmos com mais profundidade a atual crise americana. Ao se auto-atribuírem a responsabilidade de ser a “polícia do mundo”, os americanos tornaram o planeta seu território, no qual livremente podem exercer o monopólio da força, dispondo de uma máquina de guerra infinitamente superior a de qualquer outro país.

Eles realmente levaram a sério a lição do primeiro capítulo do consagrado livro a “Arte da Guerra”, de Sun Tzu, onde se diz: “A guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da morte, o caminho para a sobrevivência ou a perda do Império, é preciso manejá-la bem”.

Essa máquina de guerra que cria milhões de empregos e gera trilhões de dólares anualmente, tem suas contra indicações, sendo o terrorismo, a principal delas. A questão dos EUA é como “manejar” essa máquina de guerra, que é importante para a economia do país, e ao mesmo tempo, evitar que ela não se volte contra o povo americano, que, através de seus dignitários a criaram? Como se pode perceber, “manejá-la bem” já não era tarefa fácil na época do General Sun Tzu, que servia a um imperador humilde, que desejava apenas manter seu território e não aspirava ser a “polícia do mundo”.

Esse é o dilema. O lobby a favor da indústria bélica americana é muito forte e rende muito dinheiro ao país. Como não se pode viver sem ela, o que fazer? Os americanos terão que se reinventar para sair desse modelo de “Estado da Guerra” que se consolidou desde a segunda guerra mundial. Enquanto isso não ocorrer, Obama e seus sucessores, assim como os príncipes tiranos do passado, continuarão se excedendo e cometendo arbitrariedades.

*Advogado e Superintendente do Instituto Avanzi (ONG de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações).

SITE: www.grupoavanzi.com.br

domingo, 2 de junho de 2013

Stock Car em Brasília




Na 5ª etapa da Stock Car, neste domingo (2), no autódromo internacional Nelson Piquet, em Brasília, a vitória ficou com o pentacampeão Cacá Bueno, seguido por Daniel Serra e Thiago Camilo. Com o resultado, Bueno assumiu a liderança, com 97 pontos, uma a mais que o vice-líder, Ricardo Maurício, que terminou a etapa em quinto. (Foto: Vanderley Soares)
  

Opinião

"Os alunos são diferentes entre si e por isso devem ser tratados de forma diferenciada. A utopia do igualitarismo, essa que muitos na educação defendem, só seria possível num único e não desejável cenário - aquele em que todos são medíocres."

Nuno Crato, ministro da Educação e da Ciência em Portugal.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Opinião

"As vezes somos obrigados a tomar decisões em situações de risco, e geralmente, classificamos as pessoas de corajosas, aquelas que vão e fazem, e conservadoras, as quem não agem, e isso não está correto. O processo de tomada de decisão não está baseado em coragem. Nossas decisões são baseadas em um turbilhão de informações num curto espaço de tempo."

André Akkari, campeão mundial de pôquer.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Opinião

"A minha maior característica é ser um cineasta brasileiro, guiado pela vontade de entender esse país, tão estranho e diferente. Que país é este? O único país no mundo que é, ao mesmo tempo, lusitano, negro e indígena. Não existe igual no resto do mundo. Mais objetivamente é a vontade de falar do que está mais próximo da gente."

Cacá Diegues, cineasta.

A radiocomunicação na Segunda Guerra Mundial


por Dane Avanzi*

Tive a oportunidade de conhecer de perto o Porta-Aviões americano USS Midway. Hoje transformado em museu, está ancorado na cidade de San Diego. Além do acervo de aeronaves, caças, helicópteros e equipamentos utilizados, em sua maioria, durante a Segunda Guerra Mundial, o acervo do USS Midway, nos conta detalhes de como viviam sua tripulação graças às instalações originalmente preservadas.

Após percorrer todas as dependências do USS Midway, fiquei impressionado em perceber que há uma verdadeira cidade dentro de um porta-aviões, que além do aparato militar, obviamente, é dotado de correio, hospital, alojamentos, farmácia, salas de tratamento odontológico, cozinha e refeitório. Enfim, todas as utilidades necessárias para suportar a vida em alto mar, por meses a fio, se a situação exigir.

No entanto, o que mais me chamou a atenção foi a importância estratégica da radiocomunicação no contexto da guerra. Só para se ter uma ideia, a sala de radiocomunicação ficava no meio, entre a sala de comando e o quarto do almirante, onde foram recebidas e transmitidas as mensagens que determinaram os rumos da história, o destino de toda a nação e especialmente da tripulação que ali serviu durante a guerra.

Os equipamentos eram enormes, tanto que necessitavam de uma sala somente para abrigá-los. É realmente impressionante como ao longo de meio século os equipamentos de radiocomunicação ficaram mais leves, compactos e precisos. Na sala de transmissão ficavam dois ou três operadores, além da radiocomunicação por radiotelegrafia. Existia outro aparelho, novidade na época, chamado de Teletipo, que em verdade foi precursor do Telex.

Por meio do telégrafo eram transmitidas mensagens por sinais sonoros, sendo o Código Morse a codificação mais conhecida e predominante. Já o Teletipo era mais avançado. Nele a mensagem já vinha digitada, como um fax.

Juntamente com a impressão era emitida uma fita, uma espécie de “backup”, que armazenava o conteúdo da mensagem e possibilitava retransmitir automaticamente sem ter que digitar, ou melhor, datilografar - termo usual na época e hoje em desuso -, tudo novamente.

Foto: http://www.outsideourbubble.com/uss-midway

O USS Midway é um dos muitos museus americanos que preservam a memória nacional. Lá, estudantes e cidadãos de todo o mundo podem interagir com o "Palco" que sediou um pedaço da história. O Instituto Avanzi, possui um acervo com vários equipamentos de telecomunicações utilizados no início do século XX. Acreditamos que somente conhecendo a história do que já se passou poderemos compreender a realidade hoje e projetar um futuro melhor.

*Advogado e Diretor Superintendente do Instituto Avanzi, ONG de defesa dos direitos do Consumidor de Telecomunicações.

SITE: www.grupoavanzi.com.br

domingo, 26 de maio de 2013

Opinião

"A monogamia é um exercício, uma escolha. E também está mudando de significado, o conceito vem mudando com o tempo. Era exclusividade sexual. Hoje, as pessoas questionam isso. Você está traindo quando pensa em outros? Começa na mente? A monogamia é um compromisso emocional? Essa é uma boa questão. As pessoas podem ser fiéis sexualmente e trair emocionalmente."

Esther Perel, psicóloga.

Opinião

"Não vejo problema algum com a gostosa, porque pode existir a advogada gostosa, a professora... Meu biotipo não me impede de fazer bons personagens. (...) É assim, o magro é elegante, a mulher voluptuosa é gostosa."

Ellen Rocche, atriz.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Decreto presidencial regulamenta compras pela internet

por Alessandro Ragazzi*

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos consumidores que adquirem produtos pela internet é o exercício do chamado “direito de arrependimento”.

Esta regra, estabelecida pelo Código de Defesa do Consumidor, prevê que, nas compras a distância (internet, TV, telefone, catálogo) em que o consumidor não entra em contato direto com o produto antes da compra, tem ele o direito de se arrepender, em até sete dias após ter recebido o produto, devolvendo o mesmo à loja e tendo, consequentemente, seu dinheiro de volta.

Acontece que, em muitos casos, os sites de compras não disponibilizavam os meios para o exercício de tal direito. Em muitos casos, nem mesmo um endereço para devolução era informado.

Visando acabar com este problema, entrou em vigor o Decreto Presidencial nº 7.962/203, que regulamenta alguns dos direitos dos consumidores, nas compras pela internet. A nova norma prevê, entre outros deveres ao fornecedor, a fácil visualização de informações e facilidade em possíveis devoluções.

Com a determinação, fica mais clara a obrigação dos sítios (sites) em fornecerem informações como endereço físico, despesas adicionais claras, quantidade de produtos quando for relacionado a compras coletivas, visualização imediata e fácil do contrato de adesão, o CNPJ, dentre outras especificações que facilitarão a compra e eventual devolução.

A norma trata ainda das obrigações dos chamados sites de “compras coletivas”. A partir de agora eles terão que informar a quantidade mínima de consumidores para a efetivação do contrato, o prazo para utilização da oferta pelo consumidor, e a identificação do fornecedor responsável pelo sítio eletrônico e do fornecedor do produto ou serviço ofertado.

Outra facilidade trazida pelo Decreto está no fato de que, a partir de agora, o consumidor pode desistir da compra pelo mesmo meio que a efetivou, ou seja, pelo próprio site de compras. O arrependimento obrigará o fornecedor a devolver o valor pago ou comunicar imediatamente a operadora de cartão, para que eventual débito seja cancelado ou estornado.

A nova norma entrou em vigor no dia 14 de maio, e todos os sites de compras estão obrigados a cumprir a regra. Mais uma vez o Brasil se mostra na vanguarda da legislação consumeirista.

*Advogado.

CONTATO:
contato@ragazzi.adv.br

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Opinião

"Na carreira de um astro de cinema, o que menos se faz é atuar de verdade. O tempo é consumido em esperas, viagens, reuniões sem fim e maratonas de divulgação dos filmes. Numa série de TV, trabalha-se duro o dia inteiro, muitas vezes sem chance sequer de respirar. Nada, no entanto, dá mais alegria a um ator do que a ralação no set."

Kevin Bacon, ator.