terça-feira, 25 de julho de 2017

Opinião

"O que me inspira a pintar é a solidão. (...) O que me inspira é a tristeza, quando estou triste pinto muito melhor que quando estou feliz. (...) Geralmente dizem que quando estamos tristes os desenhos saem tristes, mas comigo é ao contrário, quando estou triste meus desenhos saem muito melhor que quando estou feliz. Quando estou triste minha pintura é mais linda, mas sou uma pessoa feliz."

Jill Bispo, artista plástica.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Outro Brasil

por José Pio Martins*

"Eu não quero morar em outro país. Eu quero morar em outro Brasil." Ouvi essa expressão em palestra do consultor Marcelo Karam, e ela me provocou várias reflexões. A recessão, a corrupção, o desemprego e a violência social são as causas mais citadas por pessoas que manifestam o desejo de ir embora do Brasil. O desencanto com o país é compreensível, pois nossas mazelas são graves e formam um quadro desolador que faz muitos perderem a esperança de melhorias no curto e médio prazo.

Tenho uma filha que atualmente mora e trabalha em Londres, depois de ter residido na Itália e na Alemanha, e isso me faz acompanhar de perto a Europa, principalmente a Inglaterra. Emigrar para Londres, cidade glamourosa e centro importante da história mundial, e lá viver é o sonho dourado de muitos. Mas, quando se tornam reais, os sonhos revelam seus espinhos. A Inglaterra, apesar das vantagens, apresenta vários problemas para o imigrante.
O país aderiu à União Europeia (28 países), porém, com mais oito países, não adotou o euro como moeda comum. No ano passado, o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) decidiu se retirar da União Europeia, o que implicará mudanças na política de imigração na região. Três milhões de cidadãos da União Europeia vivem no Reino Unido e 1,1 milhão de cidadãos do Reino Unido vivem nos demais países da Europa. Os ingleses têm certa restrição aos imigrantes, aos quais gostam de reservar os empregos de menor remuneração.

A vida do imigrante na Inglaterra não é fácil. A maioria mora em residências pequenas e frequentemente é lembrada de que ele é imigrante, não cidadão nacional. Nas pequenas cidades, a hostilidade no mercado de trabalho é maior, e foi o interior que deu a maioria dos votos para aprovar o Brexit (a retirada britânica da União Europeia). O país é organizado, a violência urbana é quase nula, o povo é educado, as coisas funcionam e há muito que admirar na Inglaterra. Mas o imigrante é sempre um estrangeiro e, mais adiante, muitos podem ser instados a deixar o país.

O exemplo da Inglaterra mostra que ser imigrante em qualquer país nos tempos atuais não é exatamente uma coisa fácil. Uma coisa é o glamour, outra é a realidade. Para a maioria dos 207,2 milhões de habitantes do Brasil, a hipótese de ir embora do país não se coloca. A expressão "eu não quero viver em outro país; eu quero viver em outro Brasil" é apropriada e um bom motivo para sabermos que cabe a nós, sociedade e governo, construir outro Brasil, menos pobre, menos corrupto, menos violento e com melhores hábitos; um país onde morar seja seguro e onde se possa ter alegria de viver.

Muitos que manifestam o desejo de ir embora talvez tenham desistido do Brasil e não acreditam que verão um país melhor. A questão é que, apesar dos problemas, a maioria não irá embora, e o melhor é fazermos nossa parte e contribuir para melhorar a nação, superar a pobreza e reduzir o elevado grau de violência contra a vida. Aceitar passivamente a pobreza, o caos e a marca de 60 mil pessoas mortas por assassinato a cada ano não é razoável.

No plano pessoal, as crises e as derrotas produzem lições e nos ajudam a mudar para melhor. Resta saber se o Brasil, como sociedade, aprenderá algo com a tríplice crise atual (a econômica, a política e a moral) e será capaz de melhorar sua economia e as condições sociais. Só o tempo dirá.

*Economista e reitor da Universidade Positivo.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Opinião

"Sou biólogo e viajo muito pela savana do meu país. Nessas regiões encontro gente que não sabe ler livros. Mas que sabe ler o seu mundo. Nesse universo de outros saberes, sou eu o analfabeto. Não sei ler sinais da terra, das árvores e dos bichos. Não sei ler nuvens, nem o prenúncio das chuvas. Não sei falar com os mortos, perdi contato com os antepassados que nos concedem o sentido da eternidade. Nessas visitas que faço à savana, vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim e a afastar-me das minhas certezas. Nesse território, eu não tenho apenas sonhos. Eu sou sonhável."

Mia Couto, escritor, poeta, jornalista e biólogo.

Empreendedores do século XXI

Numa visão mais simplista, podemos entender como empreendedor aquele que inicia algo novo, que vê o que ninguém vê aquele que realiza antes, aquele que sai da área do sonho, do desejo, e parte para a ação. Considera irresistíveis os novos empreendimentos e propõe sempre ideias criativas, seguidas de ação. A autoavaliação, a autocrítica e o controle do comportamento são características do empreendedor que busca o autodesenvolvimento. Não basta tirar um projeto do papel para caracterizar um negócio. Para isso é necessário um fator diferente: a inovação.

Segundo a coach e empreendedora Herica Oliveira, "o contexto econômico e social favorece esse perfil profissional, pois o empreendedor é um empresário com um perfil distinto, atento às novas tendências, preocupado com soluções inéditas e que busca explorar campos de atuação carentes de atendimento e com excesso de demanda", comenta. Aqueles que possuem e desenvolvem esse tipo de característica conseguem se destacar dos potenciais concorrentes.
 
Atualmente, há aproximadamente 1,5 milhão de microempreendedores individuais no Brasil. Em 2014, conforme publicou o portal da revista EXAME, a taxa de empreendedorismo no mesmo índice foi de 34,5%. Naquele ano, o Brasil esteve oito pontos à frente da China. Portanto, Herica ressalta "para que esse cenário de liderança se amplie ainda mais, três fatores que existem em países desenvolvidos precisam ser otimizados no país: formação educacional, auxílio governamental e oportunidade de investimento", explica.

De acordo com pesquisas, ter seu próprio negócio só perde como maior sonho do brasileiro para as intenções de ter uma casa própria e de viajar pelo país. "Momentos como o atual traz incerteza para todos. Com a economia em recessão, o aumento do desemprego e a diminuição do poder aquisitivo da população balança todos os setores da economia. Porém, geralmente, os principais prejudicados são os setores mais tradicionais e as empresas maiores. Os empreendedores e novas empresas têm tudo a ganhar. Empreender faz parte do sangue brasileiro", finaliza a especialista.
 
SITE: www.coachericaoliveira.com.br

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Encare o medo de frente: transição de carreira tem dessas coisas!

por Deborah Toschi*

MEDO, isso mesmo! Toda transição de carreira passará mais ou menos pela fase do medo. Mudar dá medo, pois sair da zona de conforto, por vários motivos, nos incomoda.

A gente vai levando, vai deixando para lá, vai aguentando o "sapato apertado" mesmo que todos os dias a gente volte com calos nos pés por estarmos caminhando em uma trilha que nos esgota diariamente.

Daí vez ou outra pinta a Coragem, e ela nos aponta uma direção, uma possibilidade, um ânimo para sair daquele lugar, para fazer alguma coisa por nós, pois vale lembrar que estamos falando da nossa vida, certo?!

Mas, a gente insiste, insiste e resiste, pois tem o medo! O medo de não ser bom, o medo de não sermos capazes, o medo de não dar certo, o medo do que os outros vão pensar, o medo de não apresentarmos habilidades para isto, e por aí segue a lista imensa endossando com louvor os mais diversos motivos para ficar onde estamos.

Até que um dia alguma coisa explode! A gente explode, a situação explode, aquilo que era seguro explode, a nossa tolerância explode, a nossa paciência explode…

E geralmente quando a gente explode, ou seja, chegamos no nosso limite máximo, aí sim, nós resolvemos fazer alguma coisa efetiva por nós mesmos.

Paramos e pensamos que não dá mais. Neste momento muitos desistem, pedem demissão, fazem mudanças mal planejadas para outra empresa, viram a mesa e depois se arrependem, comprometem a saúde e etc.

 
Nesta hora quando se explode o MEDO sai correndo, pois ele não quer se comprometer com suas escolhas, certo? Aquilo que você acha que é coragem quando toma uma atitude em meio a explosão, não é. Decisões que são tomadas em situações de explosão e limite não são atos de coragem, e sim, de esgotamento.

Sendo assim, que tal evitar muitas destas situações e encarar seus medos de frente?! Medo paralisa, enfraquece e sabota. Este tipo de medo não é medo saudável, ok?! Pense nisto! Você pode até achar que este medo está te preservando, mas fique ligado, não é bem assim.

Se por algum motivo o seu sapato já está apertado e gritando para que você faça algo pela sua carreira, pelo seu desenvolvimento, pelo seu crescimento profissional, avalie cada medo e cada um dos seus sabotadores. Utilize o seu autoconhecimento como maior ferramenta, busque um processo que te auxilie a olhar para tudo aquilo que você tem como potencial para traçar uma estratégia inteligente que te auxiliará no seu processo de transição ou melhoria profissional.

Se você olhar a sua história com certeza vai lembrar que nem todas as suas decisões de mudança estavam preenchidas apenas de coragem, tinha medo também, mas ele não paralisou.

Use a sua coragem, a sua determinação e o seu planejamento para fazer diferença nas suas escolhas!

Conheça-te a ti mesmo como já dizia o filósofo Sócrates. Encare os medos de frente, e mostre quem manda! Ele não deve ser o piloto da sua vida, pois quem dá a direção é você!

*Psicóloga e coach certificada pelo ICI - Integrated Coaching Institute. Sócia-Diretora da CAPIO Desenvolvimento Humano, especializada em Coaching de Carreira, Vida e Mentoria.
 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Opinião

"Impressionante alavanca do progresso, a imprensa é a poderosa usina geradora e irradiadora dos milhões e milhões de quilowatts da luz maravilhosa do pensamento humano, que vem desfazendo com os milhares de focos que são os jornais, grandes ou pequenos, as trevas da ignorância, principal responsável pelos erros, pelos desatinos, pelas violências, e até pelos crimes que perturbam a vida da humanidade."

José Jayme Ferreira de Vasconcellos, jornalista, advogado e professor da Faculdade de Direito de Mato Grosso.

O que mudou no cenário do consumo dos ovos de Páscoa?

por Leandro Krug Batista*

Nos últimos anos, o comércio de ovos de Páscoa não tem se mostrado tão satisfatório quanto antigamente. Dados do Serasa apontam que, em 2016, a queda nas vendas durante a semana que antecedeu o feriado foi de 9,6%, em relação ao ano anterior (2015), o que correspondeu ao pior desempenho em dez anos.

Ao analisarmos essa queda, não podemos nos prender somente ao problema da atual conjuntura econômica do país, mas é preciso avaliar também os fatores demográficos e culturais. Há dez anos, a pirâmide etária contava com mais jovens e crianças, a grande fatia de consumo no período da Páscoa. Atualmente, a maior parte da população é adulta – os mesmos jovens de dez anos atrás. E a população jovem, uma geração mais preocupada com a saúde, não consome mais a mesma quantidade de chocolate, hábito que se dá devido a aspectos culturais ligados à diminuição do consumo de açúcar.

No entanto, analisando de forma ainda mais pontual, vemos que um grande influenciador do consumo do chocolate na Páscoa pode ser o aspecto qualitativo. Cada vez menos a quantidade é o atributo principal - e outras característica, como inovação no formato, nos sabores, na embalagem e em novos componentes, agregam na procura e chamam a atenção do consumidor. Não é a toa que as grandes fabricantes têm apostado em marcas tradicionais – que são seus carros chefes –, em ovos com caixas de som, e no relançamento de antigos chocolates, “queridinhos” do público que hoje é adulto. Para termos uma ideia, 42,5% das vendas, em valor, dos ovos de Páscoa são acompanhados de brinquedos - o que indica que quem mais movimenta esta data ainda é a criançada (e que nem sempre o chocolate é o fator principal).

Analisando, portanto, o mesmo aspecto qualitativo, a famosa gourmetização chegou também nesse nicho de mercado. Hoje, o crescimento na demanda dos profissionais da área de confeitaria, e até mesmo de autônomos que se aventuram em criações nessa época do ano, é imensa. O que acontece é que esses profissionais acabam aproveitando uma nova onda, apostando na originalidade e fugindo da “massificação” imposta pela indústria dos ovos de páscoa, mordendo, assim, uma parte da fatia de grandes indústrias. A grande verdade é que mesmo com queda nas vendas, maior a cada ano, a tradição de compra e venda dos ovos de Páscoa está longe de desaparecer. Com isso, apenas podemos concluir que a Páscoa deve continuar sendo doce, porém, não tão rentável como antigamente.

*Coordenador do MBA em Gestão do Varejo e Administração de Shopping Center da Universidade Positivo. É consultor de Franchising e Gestão de Redes de Varejo e Mestre em Gestão Estratégica.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opinião

"É fácil aceitar o que desde criança te ensinaram que é errado. Difícil é, quando adulto, entender que te ensinaram errado o que desde criança você suspeitou que fosse correto. Em outras palavras, se você se enquadra em algum cujos estímulos do meio lhe determinaram certo comportamento, fazendo com que estivesse à mercê de crenças já providas e bem estabelecidas em dogmas e rituais, com uma massa concentrada de pessoas nela; ou permitindo-o ficar no conformismo, aceitando o conceito de felicidade e de sentido da vida embutido pela mídia e pela sociedade, então claramente você faz parte do caminho fácil para a busca da verdade absoluta. Acaso se enquadre na segunda opção, ou seja, aquele que suspeitava de todo conjunto de crenças que lhe foi enraizado, então este tem tudo para ser um investigador da veracidade nas coisas ao seu redor, entrando em um caminho mais complicado, no qual uma minoria se arrisca ou enfrenta com bravura."

Bruno Borges, estudante de psicologia e escritor.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Opinión

"Creo que nosotros, los periodistas, se encuentran en medio de una guerra para llamar la atención sobre lo que sucede hoy en día en Internet. Tenemos que encontrar maneras de hacer que descubran nuestro contenido. Si no somos capaces de elegir el formato, nadie va a leer. Es cruel pero es la forma en que funciona el Internet. tenemos que encontrar la manera de ser único y relevante ".

Delia Rodríguez, periodista, especializada en internet y managing editor en Univision Digital.

Opinião

"Tem gente que argumenta que essa era da informação veloz mata a reflexão porque é tudo muito imediato. Eu não acho. A reflexão é essencial e por isso ela vai ser sempre valorizada. O que acontece é que nós jornalistas precisamos nos disciplinar para fazer análises cada vez menos prolixas, arrogantes. É preciso ser mais direto, didático e não um didatismo que menospreze a inteligência, mas que dê a mão para a pessoa e mostre porque aquilo tem importância. Isso tem tudo a ver com as redes sociais e a informação na era digital porque prevê o diálogo. Se você não estiver aberto a isso você vai ser irrelevante."

Renata Lo Prete, jornalista.